
Caio Valle é daqueles atletas polivalentes que todo treinador de futebol sonha ter em sua equipe. Destaque do sub-17 do Botafogo, já atuou como ponta-direita, ponta-esquerda, meia ofensivo, volante e, hoje, joga de lateral-esquerdo com a camisa alvinegra. Aos 16 anos, o garoto se inspira na versatilidade do meio-campista alvinegro Tchê Tchê, que, como ele, tem a capacidade de desempenhar mais de uma função na mesma partida. Dentro da posição atual, um defensor que gosta de estar envolvido nas ações ofensivas, identifica-se com o estilo de Marcelo, do Fluminense, e admira João Cancelo, do Barcelona, e Trent Alexander-Arnold, do Liverpool.
— Ele é um jogador canhoto, com boa qualidade técnica, boa visão de jogo, boa dinâmica, um menino excelente no dia a dia. É tímido, mas que dentro de campo se transforma em um cara de atitude, mostrando uma personalidade forte. Um atleta de boa mobilidade, ações técnicas, que joga muito bem por dentro. Um jogador talentoso — elogia Alexandre Lemos, técnico do sub-17 do Botafogo.
Caio, que começou a carreira no Canto do Rio, clube tradicional de Niterói (RJ), onde nasceu, assinou seu primeiro contrato profissional em outubro do ano passado: é jogador do alvinegro até 2026. Para tornar menos cansativa a vida de aspirante a estrela, o jovem nascido no Largo da Batalha está de mudança para perto do Estádio Nilton Santos, onde acontecem as atividades do sub-17. Vai morar com um companheiro de equipe, e as mães vão se revezar nos cuidados com a dupla.
— Acordo 5h10 e saio de casa 5h30 para ir para o treino por causa do trânsito — conta ele, que tem carona do pai no trajeto de cerca de uma hora: — Mas ainda assim, prefiro Niterói. Se já fosse um jogador renomado, com dinheiro, ficaria por lá, moraria perto da praia. Em Icaraí, em Itacoatiara, talvez.
Filho de Daiana, professora, e Robson, funcionário de uma empresa de material de construção, o adolescente valoriza muito a família e o esforço que todos fazem para que ele realize o sonho de um dia atuar profissionalmente no Botafogo.
— Eles sempre me apoiaram. Minha mãe sempre esteve comigo, meu pai acorda de madrugada para poder me levar ao treino. Meu principal objetivo é mudar a vida da minha família, dar uma condição melhor, poder retribuir tudo que eles fizeram por mim — diz Caio, com a fala baixa, evidenciando a timidez apontada pelo treinador.
Hoje, o garoto já serve de inspiração para o irmão mais novo, João Victor, de 7 anos. O caçula da família também sonha ser jogador e segue seus passos: joga futsal num clube perto de casa.
Foto: Custódio Coimbra / O Globo